Arquivo e Memória // Lugares, estórias e cultura

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O Projeto

Arquivo e Memória procura explorar o potencial do arquivo digital para a preservação das memórias associadas aos locais mais desabitados de Portugal, divulgando a sua história e as suas estórias. Partindo da recolha de documentação existente, dispersa em vários locais, e através da indexação e categorização desses documentos, o projeto agrega material acerca de artesanato, costumes, lendas, lugares, pessoas e música dos municípios menos habitados.

Ao evidenciar os lugares mais desabitados e agregar material passível de manter vivas as suas tradições e memórias, este projeto procura sensibilizar para a possível perda de identidade cultural como consequência da crise demográfica que atravessamos.

#arquivo digital #documentação #memória cultural #preservação #esquecimento


[+] Se quiseres saber mais sobre a crise demográfica, poderás ver o seguinte documentário >> "Nós, portugueses: nascer para não morrer"

Arquivar ; Documentar ; Preservar

“The effort to retrieve that which is about to disappear or be forgotten thus becomes a key philosophical task of the twentieth century. This task encompasses two contradictory trajectories. The first consists of the effort to document, in the name of history and humanity, what has happened; to leave a record through writings, monuments, archives, museums, etc. [...] The other is the effort to remember that which cannot be retained or memorized [...].” 1

Este projeto surge como resposta a esta necessidade de arquivar e documentar a história do nosso país, nomeadamente da sua identidade cultural. Este esforço para recuperar o que está prestes a desaparecer ou ser esquecido, torna-se, segundo Yuk Hui, uma “tarefa filosófica fundamental do século XX”. O autor explica como essa tarefa envolve duas trajetórias contraditórias. A primeira prende-se com o “esforço de documentar, em nome da história e da humanidade, o que aconteceu”, e a segunda relaciona-se com o “esforço de lembrar o que não pode ser retido ou memorizado”.

Um olhar sob o panorama demográfico português revela grandes contrastes, resultantes do elevado movimento migratório de zonas rurais do interior para cidades do litoral. Observamos cada vez mais lugares desabitados, que se encontram num limbo entre a memória e o esquecimento. Consequentemente, também o património histórico e cultural associado a estes locais se encontra em risco de ser esquecido, se não existirem pessoas que permaneçam e o possam preservar e transmitir às próximas gerações.

Nem sempre os contrastes demográficos no nosso país foram tão gritantes. Antigamente a vida fazia-se sobretudo no campo, vivia-se da atividade agrícola. A partir da década de 40, sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial, começamos a assistir a uma deslocação em massa para as cidades. Foi na década de 80 que se começou a falar em territórios de baixa densidade, não só referindo a densidade demográfica, mas englobando também a baixa densidade relacional, ou seja, o nível reduzido de interações entre pessoas e instituições. Torna-se então necessário analisar esta problemática, não só a um nível geográfico, económico e social, mas também a um nível cultural, questionando até que ponto a nossa identidade cultural poderá ser afetada pelo abandono de territórios. 2

1 Hui, Y. (2016). Memory in motion. Archives, Technology and the Social. Amsterdam: Amsterdam University Press.

2 Mota, B. (2019). A Problemática dos territórios de baixa densidade: Quatro estudos de caso. (Dissertação de Mestrado). ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa.